Um dia no Porto — As escapadinhas do Yoshi
- Matisse Alves

- 15 de jul.
- 5 min de leitura
Atualizado: 17 de jul.

O nosso jornalista Matisse Alves partilha a sua opinião sobre as atrações que visita nas férias. Ontem, visitou o Porto e partilhou connosco várias fotografias e impressões.
A cidade do Porto é um destino turístico muito popular entre os turistas e os portugueses. A cidade tem vindo a melhorar de ano para ano e uma das melhores atrações é o World of Discoveries – Museu dos Descobrimentos.

O museu retrata a história de Portugal e da era dos descobrimentos.

Além de ensinar história, permite às crianças explorar com tablets e aprender curiosidades. Existe uma sala totalmente digital onde é possível explorar arte e cultura, ciência, mitos e histórias, bem como navegadores da história de Portugal.


Além disso, o museu possui um passeio de barco que recria a viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães. Aí, podemos aprender a história de Portugal com diferentes comerciantes.

A Ponte Luís I é outra atração turística muito popular, atraindo um grande número de visitantes.

A ponte foi projetada por Gustave Eiffel. No entanto, foi Théophile Seyrig quem a construiu, tendo a obra sido concluída em 1886. Constitui o ex-líbris que une o Porto a Vila Nova de Gaia sobre o rio Douro.
É possível subir a parte de cima pela Funicular dos Guindais ou pelas Escadarias dos Guindais. Estas escadarias são uma boa opção para quem gosta de fazer exercício e quer ver a Muralha Fernandina.

É importante prestar atenção à parte superior, pois o metro passa e as pessoas devem permanecer atrás da linha amarela. A vista é magnifica.


Se há um monumento que representa o Porto, esse é a Torre dos Clérigos. Projetada pelo italiano Nicolau Nasoni no século XVIII, a torre foi concluída em 1763 e tornou-se um dos cartões-postais mais famosos de Portugal. Quem sobe os seus degraus é recompensado com uma vista panorâmica de 360° sobre o Porto e Vila Nova de Gaia — de dia ou, em épocas especiais, até às 23h.



Anexa à torre, a Igreja dos Clérigos também tem a sua importância: foi a primeira igreja em Portugal com planta oval e impressiona pela talha dourada, pelos órgãos tubulares "à portuguesa" e pela capela-mor ricamente decorada.
Em 2014, todo o conjunto foi reaberto após uma grande recuperação — foram usados 140 mil folhas de ouro, 60 kg de algodão e 13 km de cabos elétricos. O resultado? Tradição e modernidade num só espaço, que recebe mais de 1,5 milhão de visitantes por ano.
Classificado como Monumento Nacional desde 1910 e inserido no centro histórico do Porto (Património Mundial da UNESCO), os Clérigos são parada obrigatória para quem visita a cidade. Arte, fé, música e uma vista inesquecível — tudo num só lugar.
Se a Torre dos Clérigos é o ex-líbris religioso e turístico do Porto, os Paços do Concelho são, sem dúvida, o seu centro nevrálgico em termos políticos e urbanísticos.
A história da Câmara Municipal do Porto remonta ao século XV, quando funcionava na histórica Casa da Câmara, também conhecida como Torre do Senado, localizada perto da Sé Catedral. Foi ali que, durante séculos, se tomaram as decisões mais importantes para a cidade.
Mas foi no século XX que o edifício ganhou a imponência que hoje conhecemos. O projeto atual, situado no topo da emblemática Avenida dos Aliados, foi desenhado em 1916 e a sua construção estendeu-se entre 1920 e 1955. Esta obra marcou a maior transformação urbanística da cidade do Porto, dando-lhe uma nova centralidade e uma face mais moderna e grandiosa.

Com a sua fachada monumental e a torre sineira que se avista de vários pontos da cidade, os Paços do Concelho são muito mais do que um edifício administrativo. São um símbolo da identidade portuense, testemunha de décadas de história e palco de momentos marcantes para a cidade e para o país.
Quem passeia pela Avenida dos Aliados não pode deixar de admirar esta imponente construção que, lado a lado com a Torre dos Clérigos, compõe um dos cartões-postais mais bonitos e reconhecíveis do Porto.
Se há um lugar onde se sente o pulso verdadeiro do Porto, esse é o Mercado do Bolhão. Mais do que um espaço de compras, é um pedaço da identidade portuense que resiste ao tempo com a mesma autenticidade de sempre.

Tudo começou em 1839, num local curioso: um terreno pantanoso onde existia uma nascente de água — daí o nome "bolhão", que remete para as bolhas que borbulhavam no chão. Mas foi em 1914 que o edifício ganhou a cara que hoje conhecemos, com o seu traço neoclássico desenhado pelo arquiteto António Correia da Silva.

Durante mais de um século, o Bolhão foi o palco do comércio tradicional, das peixeiras de bata e dos vendedores que erguiam a voz para atrair fregueses. Foi cenário de vida, de cheiros e de sabores que marcaram gerações de portuenses.
Depois de uma profunda e cuidada remodelação, o Mercado do Bolhão reabriu portas em 2022, devolvendo à cidade este espaço emblemático totalmente renovado. Hoje, mantém viva a tradição de outrora, mas com infraestruturas modernas que o tornam mais confortável e funcional.

Lá dentro, continuam a ouvir-se as gargalhadas das peixeiras, a verem-se as bancas de fruta fresca e a cheirar-se o pão acabado de sair do forno. Mas agora, também se encontram novos conceitos, petiscos, produtos gourmet e uma esplanada que convida a ficar.
O Bolhão é o equilíbrio perfeito entre o passado e o presente — um espaço onde o Porto se sente, se prova e se vive. Quem visita a cidade não pode deixar de lá passar.
Há cidades que se visitam. E há cidades que se sentem. O Porto é, sem dúvida, dessas últimas.
Das alturas da Torre dos Clérigos à grandiosidade dos Paços do Concelho, passando pelos cheiros e sabores do Mercado do Bolhão, a Invicta é um verdadeiro museu a céu aberto. Cada esquina conta uma história, cada monumento guarda séculos de memórias e cada rua nos convida a perder-nos — para depois nos encontrarmos naquela vista inesquecível sobre o rio Douro.
O Porto é feito de contrastes. É antigo e moderno. É tradicional e inovador. É solene e acolhedor. É a pedra granítica que resiste ao tempo, mas também a luz dourada que se reflete nos azulejos e a simpatia genuína de um povo que nos recebe de braços abertos.
Não é por acaso que o centro histórico é Património Mundial da UNESCO, que os Clérigos recebem mais de 1,5 milhão de visitantes por ano ou que o Bolhão reabriu para continuar a ser a alma da cidade. É porque o Porto tem alma — uma alma que se sente em cada monumento, em cada mesa de petiscos e em cada pôr do sol sobre as pontes.
Visitar o Porto é mais do que fazer turismo. É deixar-se envolver pela sua luz, pela sua história e pela sua gente. É levar na bagagem não apenas fotografias, mas memórias que ficam para sempre.
Porque o Porto não se explica. O Porto vive-se. E quem cá vem, quer voltar.




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